Na rota do tráfico


Mercado negro de obras de arte mostra força com recentes furtos, e polícia teme que Copa e Olimpíadas agravem problema no Brasil

Por André Miranda


Na história recente de museus, galerias, bibliotecas, igrejas e até de coleções particulares guardadas em apartamentos, os roubos de obras de arte e bens culturais movimentam um mercado de US$6 bilhões e mais de 50 mil peças desaparecidas por ano no mundo. Dados da Association for Research into Crimes against Art (Associação de Pesquisa de Crimes contra a Arte), a Arca, indicam que esse mercado negro da arte responde pela terceira maior taxa de crescimento entre as atividades criminosas do planeta, atrás apenas dos tráficos de drogas e de armas. A situação pode se agravar ainda mais no Brasil, onde a prática vem ganhando visibilidade graças ao aumento da circulação de bens e de pessoas e à carência de ações mais efetivas em aeroportos e por parte das polícias estaduais.

O roubo de arte na história

A exemplo das mazelas humanas, que existem desde os primórdios do homem, o roubo e a falsificação de obras de arte existem desde que a arte é arte. Nem por isso se deixou de comprar ou fazer arte, muito pelo contrário. Existiram na Antiguidade, no período clássico, na Idade Média, na Renascença, continua a existir na atualidade, ou para quem adora essa palavra, na contemporaneidade, e vai existir no futuro.
A história esta repleta de casos de roubo de obras de arte, alguns famosos, outros nem tanto. Nos períodos de guerra, principalmente nas duas Guerras Mundiais, se roubava em nome de um desculpa chamada "espólio de guerra", partindo do pressuposto que isto justificava a ação criminosa. Os nazistas roubaram dos judeus e dos povos dos países ocupados, os russos roubaram dos nazistas, e por aí vai.
Cavalos da basílica de São Marcos, em Veneza, levados para a França por Napoleão Bonaparte. Devolvidos 18 anos depois
No meio do exército russo, um batalhão que não lutava, um batalhão diferente, especializado em arte, tinha uma missão: saquear e levar para a Rússia toda e qualquer obra de arte, tudo que pudesse ter algum valor. A desculpa? "Indenização de Guerra!" A mentalidade russa, na época, era que a Alemanha deveria pagar pelos prejuízos causados na cruzada de Hitler pelo mundo. Um comportamento bem diferente do que tiveram os aliados, que segundo a Time, "restituíram a arte aos seus proprietários de direito o mais rápido possível, após a guerra, enquanto os russos se recusaram a fazê-lo".
Os soviéticos saquearam museus, galerias e os bunkers onde os alemães escondiam as obras de arte: foi assim que objetos antigos e quadros de grandes mestres da pintura como Vincent Van Gogh, Paul Gauguin, Pierre-Auguste Renoir, Pablo Picasso, Paul Cézanne, Edgar Degas, Henri de Toulouse-Lautrec, Édourd Manet e Henri Matisse, entre outros, foram parar nos porões do Museu Hermitage. Até hoje o Hermitage está recheado de peças roubadas, algumas foram devolvidas, mas a maioria ainda está lá.
Voltando mais no tempo, quem se lembra do roubo dos imensos cavalos de bronze da basílica de São Marcos, junto ao Palácio dos Doges, em Veneza, por Napoleão Bonaparte, no ano de 1797? Os cavalos foram parar na França, estiveram no Arco do Triunfo do Corrosel em Paris, sendo devolvidos à cidade de Veneza em 1815. Depois de restaurados, os originais ficaram no museu e as cópias no terraço da basílica. Os estudiosos acreditam que os eqüinos foram feitos na Grécia ou em Roma, no século III ou IV A.C.
O Egito talvez seja um dos países que mais sofreram esse tipo de crime. Obeliscos, monumentos e até túmulos inteiros foram levados da terra dos faraós. Recentemente o Iraque foi vítima de um gigantesco furto de obras de arte e os maiores e mais importantes museus do mundo não ficaram livres desse crime.

Mulher e cavalheiro de preto, de Rembrandt. Continua desaparecido
O roubo mais famoso
O roubo da "Monalisa" virou até livro (Roubaram a Mona Lisa!), escrito por Rita Angélica Scotti, um extraordinário relato em 240 páginas, onde a autora detalha o desaparecimento do quadro mais famoso do mundo, desde a ação dos criminosos no final da tarde de domingo de 20 de agosto de 1911, no Museu do Louvre, até o reaparecimento da obra dois anos depois, na Itália. Três homens, disfarçados de funcionários, entraram no Museu, ficaram escondidos até o cair da noite e consumaram o roubo no famoso Salon Carré, fugindo em seguida. A expressão de horror de um velho guarda ganhou as ruas de Paris e as manchetes dos grandes jornais do mundo: La Joconde c´est partie!. A França fechou suas fronteiras e uma caçada mundial teve início, mas a misteriosa Gioconda não foi encontrada. Sobrou até para Pablo Picasso (logo ele, cujas obras viriam a ser as mais visadas por ladrões) e seu grande amigo, o escritor Guillaume Apollinaire, que foram presos como suspeitos, mas liberados depois. No livro a escritora apresenta em paralelo a história da obra de Leonardo da Vinci.
O Louvre seria vítima de outro grande furto em 1998. Em plena luz do dia, na hora do almoço, com o museu completamente lotado, um homem sozinho se dirigiu até a sala 67, colocou um quadro de Corot debaixo do braço e foi embora sem ser incomodado pelos guardas. Até hoje o homem e o quadro nunca foram encontrados.

Monalisa, de Leonardo da Vinci
Os maiores roubos
Aquele que foi considerado o maior roubo de obras de arte do mundo aconteceu no Museu Nacional Vincent Van Gogh, em Amsterdã, em abril de 1991, quando 20 obras de Van Gogh, avaliadas na época em US$ 500 milhões, foram levadas de dentro do museu. Felizmente o desaparecimento levou apenas meia hora, a polícia encontrou as pinturas abandonadas num carro estacionado em uma estação de trem. Até hoje quase nada se sabe sobre esse crime, somente que foram dois homens encapuzados que invadiram a instituição de madrugada.
Em seguida, vem o roubo do Museu de Boston, nos EUA, ocorrido em 18 de março de 1990. Dois ladrões disfarçados de policiais bateram na porta do Isabella Stewart Gardner Museum, no começo da madrugada, renderam e amarraram dois vigias, e em pouco mais de uma hora escolheram e levaram treze obras de arte, entre elas três Rembrandt, um Manet, um Véermer e cinco Degas, avaliadas em US$ 300 milhões. Nem a polícia nem o FBI conseguiram desvendar o crime e as obras de arte desapareceram. Uma das telas de Rembrandt era a Mulher e o cavalheiro de preto e a outra Tempestade sobre o Mar da Galileia, única marinha do artista. O quadro de Véermer era O Concerto.
Um dos maiores roubos de obras de arte aconteceu em 2008, na Suíça, e voltou ao noticiário agora por causa da recuperação de um quadro roubado, no caso um Cézzane, Menino de colete vermelho, encontrado na Sérvia. Avaliadas na época em US$ 160 milhões, as obras levadas da Fundação E.G. Bührle, em Zurique, incluíam um Van Gogh, um Monet, que foram recupeadas, e um Degas, ainda sumido.

O Menino de Colete Vermelho, de Cézanne. Roubado em Zurique e recuperada na Sérvia
O Museu Invisível
Outros roubos incríveis foram também relatados no livro “Museu Invisível”, do jornalista francês Nathaniel Herzberg, que passou um ano pesquisando todos os grandes assaltos a museus, casas de leilão e galerias de arte. Se existisse realmente, esse museu invisível teria uma coleção de fazer inveja a qualquer instituição e incluiria telas de Rembrandt, Picasso, Matisse, Van Gogh, Cézanne, Degas, Monet, Dali, Véermer e muitos outros.
Um dos roubos destacados por Herzberg aconteceu na Polônia, no Museu Poznan. Um estudante de pintura foi autorizado a fazer uma cópia de uma marinha de Claude Monet, trabalho que durou vários dias. Quando a cópia ficou pronta, o jovem artista, aproveitando-se da falha na segurança, tirou a pintura de Monet da moldura e colocou a sua cópia. A obra-prima A Praia de Pourville, avaliada em alguns milhões de dólares, medindo mais de um metro de largura, sumiu com o estudante.
Em Piacenza, na Itália, a Galeria Ricci Oddi foi vítima de um roubo inusitado. Do telhado da galeria alguém jogou uma grossa linha de pescar com um grande anzol na ponta e "pescou" o Retrato de Mulher, uma valiosa obra de Gustav Klint. Nunca foi encontrada.
Com O Grito, de Munch, levada do museu de Oslo, na Noruega, em 1994, foi diferente. Os ladrões usaram uma escada que encontraram ao lado do museu e entraram pela janela, levando uma das quatro versões do famoso quadro, que foi encontrado dois anos depois. A facilidade foi tão grande que deixaram um bilhete: "Obrigado pela falta de segurança".
Em agosto de 2003 o quadro Virgem do Fuso, de Leonardo da Vinci, com um valor estimado em US$ 53 milhões, foi roubado do castelo de Drumlanrig, na Escócia. A obra foi recuperada em 2007.
Muitas obras também são destruídas, principalmente quando o bandido não encontra comprador e quer se livrar da prova do crime. Um ladrão queimou na sua cozinha uma tela de Georges Seurat e outra de Salvador Dali. A mãe do famoso ladrão Stéphane Breitwieser, ao saber da prisão do filho, jogou no Canal Reno-Rhône, na França, todas as 230 pinturas, muitas delas importantes, e outras obras de arte surrupiadas entre os anos 1994 e 2001.
Nathaniel Herzberg fala também sobre o mercado de obras roubadas: "Quanto mais valiosa, menos a obra interessa ao mercado negro. Nenhum marchand sério, nem mesmo um vendedor de mercado de pulgas, vai querer um Matisse ou Warhol sem certificado de autenticidade ou comprovante de compra".

Amendoeira em flor, de Vincent van Gogh, levada e achada em Zurique, em 2008
Museu da Chácara do Céu
No caso do roubo no museu do Rio de Janeiro, o que ficou evidente foi a falta de segurança e a suspeita de crime encomendado. No mesmo dia que a Polícia Federal encontrou restos de molduras dos quadros roubados na favela do Morro dos Prazeres, a um quilômetro do museu, O Jardim de Luxemburgo, de Matisse, foi colocado à venda num leilão na Internet da Rússia, no endereço art.mastak.by. A moldura de O Jardim, pintado em 1903, não estava entre as que foram queimadas. A Dança (1956), de Pablo Picasso, medindo 100 x 81 cm, era a mais valiosa entre as obras roubadas do Museu Castro Maya.

Roubada no Rio, A Dança, de Picasso, uma das 642 obras roubadas do pintor, continua sumida
Números
O roubo de obras de arte é o 3º maior mercado ilegal do mundo, atrás apenas de drogas e armas. A Interpol, que tem um catálogo com mais de 34 mil obras roubadas no mundo, afirma que apesar do alto número, apenas 10% deste montante é recuperado, e mesmo assim, a cada dez obras recuperadas apenas uma é através da ação direta da polícia: as outras nove aparecem misteriosamente no mercado legal novamente. Segundo o relatório Stealing History: The Illicit Trade in Cultural Material, sem tradução para o Brasil, "obras arte e antiguidades roubadas são utilizadas para lavagem de dinheiro".
Ainda Segundo a Interpol, o destino da maior parte das peças são as mãos de quadrilhas especializadas, que geralmente recebem a encomenda de colecionadores. Muitos desses bens são enviados a Bruxelas ou Nova York, de onde seguem para receptadores. Outros são divulgados em sites do Leste Europeu, geralmente após um longo período de espera. A maior parte dos objetos de ouro é derretida e muitos santos vão parar em altares de casas particulares de pessoas pagando promessas.
Mas, nem sempre as peças roubadas vão para os receptadores de obras de arte, e nem sempre vão para colecionadores particulares. Às vezes as obras são encomendadas por traficantes que pretendem ter as peças como moeda de troca, inclusive com policiais corruptos. A ironia, para aqueles que colecionam obras roubadas, é que eles também são vítimas de roubo (há relatos sobre casos), e quando isso acontece, não podem chamar a polícia.
 
Os dois balcões, de Salvador Dalí, roubada do Museu Castro Maya

Fonte: Interpol, Museu Invisível (Nathaniel Herzberg), Stealing History.

Esculpidas por Kracjberg

em prol da natureza

Por Tatiana Dourado

Grandes monumentos que não só atraem, renovam. Das incessantes esculturas, uma profusão de sensações. Remetem ao deslumbre, logo de cara. Depois, aspiram a dor, revolta, impotência. Está bem, ao profundo encantamento. Emoções e sabores se emancipam na observação das fotografias aide-mémoire expostas em livros de arte e sob paredes alvas de museus. Retratos das destroçadas florestas brasileiras, registrados pelo perene homem de legado nervoso que, pela incansável ideologia, continuamente solidificada, aos 91 anos, não mais precisa gritar. Os ecos incomodam sozinhos, reflexo de sua obra, da trajetória, da angústia, da história, tão-somente da realidade. Frans Kracjberg, o judeu polonês naturalizado brasileiro, não chegou aqui à toa.


Do que vale o invólucro sem o alimento que o sustente? Um conteúdo que não se materializa somente na produção artística, tange Kracjberg como sustância, mas que não faz da fome inacabada. "Por meio de uma poética-testemunho, a natureza torna-se um projeto estético. Desta atitude artística, um ato revolucionário e pioneiro. A criação plástica de Kracjberg refaz, com a natureza destruída, uma arte e um grito, sem panfletarismo, planetário sobre a sobrevivência de todos nós, e isto quer dizer: o futuro do mundo através da realidade de hoje", afirma Paulo Darzé, 57, marchand há 29 anos e representante do artista em Salvador.
Ávidos ou não às causas ambientais, os olhos minimamente sensíveis dividem com Frans Kracjberg a indignação pela devastação das verdes matas marrons. Justino Marinho, artista plástico e crítico de arte, confirma a necessidade do artista no querer que suas obras sejam vistas com o olhar de possibilidades de renascimentos. "Cada obra de um artista como Frans Kracjberg funciona como uma frase, e essas frases, depois de reunidas, formam uma longa história sobre a batalha travada entre o homem racional o e irracional para a sobrevivência da terra".
No manifesto do Rio Negro, formulado em parceria com Pierre Restany e Sepp Baendereck, datado em 03 de agosto de 1978, o espelho do ideal do artista, a concepção naturalista que, nele, se concretiza por troncos colhidos nas queimadas: "Essa opção não é somente crítica, não se limita a exprimir o medo do homem diante do perigo que a natureza enfrenta pelo excesso de civilização industrial e urbana. Ela traduz o advento de um estado global da percepção, a passagem individual para a consciência planetária". Dentre tantas e tamanhas frases de livros a ele dedicados, uma chama atenção, de maneira um tanto cansada pela árdua tentativa de despertar a disciplina da consciência clamada: "Por que o homem destrói as riquezas naturais quando ele sabe que o planeta se consome e que sem elas sua própria vida será impossível?" (In: Espaço Cultural Frans Kracjberg, 2003, p. 45).

Metalinguagem Própria
Usa a natureza para traduzi-la de forma articular. Um não à arte pela arte. Defensor da arte engajada, aquela em que a percepção única do realizador é maior do que ele próprio. Maior do que Kracjberg? Um equilíbrio, talvez. A dor pela perda da família entre milhões de vítimas do Holocausto, em 1945, parece se confrontar na vida que brota da terra. Um aconchego.
A descoberta da natureza na fazenda Monte Alegre (PR) o reavivou, o contato tornou-se próximo em Cata Branca (MG) e íntimo em Nova Viçosa (BA), algumas de suas moradas. No percurso, entre tantos entraves, atentou os indícios da missão, não se absteve e caminha sem parar. "kracjberg é obsessivo com o seu trabalho. Sua força é imensa, incrível. A coragem de se manter no isolamento, na angústia, de não deixar que a madeira se acabe, de transformá-la em obra, esse poder é só dele", descreve Justino Marinho. Mensagens de fúria e lamentação emancipadas e redesenhadas por Kracjberg, acolhidas por quem sabe o que o move e o sustenta.


Frans Kracjberg

Escultor, pintor, gravador e fotógrafo, Frans Krajcberg nasceu em 1921, em Kozienice, na Polônia. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), perde toda a família em um campo de concentração. Estudou engenharia e artes na Universidade de Intgrad, prosseguindo seus estudos na Academia de Belas Artes de Stuttgart, na Alemanha.
Chegou ao Brasil em 1948, vindo a participar da oitava Bienal de São Paulo, em 1951, com duas pinturas. Residiu por um breve período no Paraná, isolando-se na floresta para pintar. Nesta mesma década, morou na região de Itabirito, no interior de Minas Gerais. Em 1956, muda-se para o Rio de Janeiro, onde divide o ateliê com o escultor Franz Weissmann (1911 - 2005), naturalizando-se brasileiro no ano seguinte. Nesta época produziu os seus primeiros trabalhos fruto do contato direto com a natureza. A partir de 1958, alterna residência entre o Rio de Janeiro, Paris e Ibiza. Desde 1972, reside em Nova Viçosa, no litoral sul da Bahia, onde chegou a convite do amigo e arquiteto Zanine Caldas, que o ajudou a construir a habitação: uma casa, a sete metros do chão. Ampliou o trabalho com escultura, iniciado em Minas Gerais, utilizando troncos e raízes, sobre os quais realiza intervenções. Viaja constantemente para a Amazônia e Mato Grosso e fotografa os desmatamentos e queimadas, revelando imagens dramáticas. Dessas viagens, retorna com raízes e troncos calcinados, que utiliza em suas esculturas. Na década de 1980, iniciou a série Africana, utilizando raízes, cipós e caules de palmeiras associados a pigmentos minerais. A pesquisa e utilização de elementos da natureza, em especial da floresta amazônica, e a defesa do meio ambiente, marcam toda sua obra. O Instituto Frans Krajcberg, em Curitiba, é inaugurado em 2003, recebendo a doação de mais de uma centena de obras do artista.

Fonte: Instituto Frans Kracjberg, Itaú Cultural, Wikimédia.


Fotos: Frans Kracjberg

Eliseu Visconti no MNBA


Chega ao Rio de Janeiro a retrospectiva da obra de um dos mais importantes pintores brasileiros

Passados sessenta e três anos depois da ultima retrospectiva do artista nos seus espaços, o Museu Nacional de Belas Artes/IBRAM/MinC recebe a exposição Eliseu Visconti - A modernidade antecipada, ampliada, com cerca 250 obras, entre pinturas, desenhos, cerâmicas e documentos do artista. Das obras expostas, muitas nunca foram vistas pelo público, nem mesmo pelos especialistas em história da arte brasileiros. Elas pertencem a 15 instituições e a 80 colecionadores particulares. O maior acervo de obras do artista pertence ao MNBA.
Artista com grande presença na transição do Brasil imperial para o Brasil moderno, Eliseu Visconti antecipou a modernidade na arte brasileira, sem, no entanto, romper com suas origens nem com os artistas que o antecederam. Assim, a presente exposição tem por propósito redimensionar o legado de Visconti na história, situando-o como agente capital de tal modernização. A produção de Eliseu Visconti é apresentada em toda sua extensão, desde o início de sua carreira, em 1888, época em que ainda fazia parte da Academia Imperial de Belas-Artes, até o seu falecimento, em 1944. Em seus quase 80 anos de vida, acompanhou de perto a imensa transformação que conduziu o país de Império a Estado Novo, do escravismo ao trabalhismo, da arte romântica à arte moderna. Sua extensa obra reflete de maneira vibrante o testemunho do artista.
A retrospectiva é dividida por períodos e temas, em consonância com os trabalhos desenvolvidos pelo pintor e designer. Entre eles estão paisagens, cenas de família, retratos, nus, temas históricos, painéis decorativos e objetos de design, além de desenhos e aquarelas. Dentre as pinturas, destacam-se na exposição 25 autorretratos, dentre os mais de 40 que Visconti criou em seus 60 anos de produção. Formalmente Visconti manteve-se na produção figurativa, sendo considerado o mais expressivo representante da pintura impressionista no Brasil.
A exposição conta ainda com memorabilia variada (cadernos de apontamentos, documentos, fotografias e estudos), cenografia do ateliê do artista (cavalete, pincéis e paleta) e cronologia ilustrada.
Dentre os destaques da exposição Eliseu Visconti - A modernidade antecipada está a obra "Sonho místico", que volta ao Brasil depois de mais de 100 anos fora do país. Pintada em 1897 a tela participou em 1910 da mostra do Museu Nacional de Belas Artes de Santiago, sendo adquirida pela instituição chilena. Outro exemplo é "A convalescente" (1896), uma raridade: recém-localizada pela curadoria em uma coleção privada, estava há décadas sem ser exposta, assim como "Deveres" (1910).
O visitante terá ainda a possibilidade de acompanhar o processo artístico de Visconti na composição das obras "Maternidade" (1906) e "Recompensa de São Sebastião" (1897), por meio de estudos e variantes pouco conhecidos, e ainda apreciar "Gioventù" (1898), considerada a "Mona Lisa" brasileira, ganhadora da medalha de prata na Exposição Universal de Paris em 1900.
A mostra tem curadoria dos historiadores de arte Rafael Cardoso e Mirian Seraphim, e de Tobias Stourdzé Visconti, neto do artista e responsável pelo Projeto Eliseu Visconti, criado em 2005 para preservar e divulgar a memória do pintor.

No alto, “Sonho Místico” (1987). Museu Nacional de Belas Artes do Chile
Sobre Eliseu Visconti
Eliseu d'Angelo Visconti nasceu em Salerno, Itália, em 1866, vindo menino para o Brasil. Estudou no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro e na Academia Imperial de Belas Artes, onde foi discípulo de Victor Meirelles, Rodolfo Amoedo e Henrique Bernardelli. Com os novos ares da proclamação da República, passou a lutar contra as normas de ensino vigentes, herdadas da missão artística francesa.
Venceu em 1892 o primeiro concurso da República para o prêmio de viagem ao estrangeiro, da Escola Nacional de Belas Artes, seguindo no ano seguinte para a França. Ingressa na École Guérin, onde foi aluno de Eugène Grasset, considerado uma das mais destacadas expressões do art nouveau. Freqüenta também a Academia Julian, tendo como mestres Bouguereau e Ferrier. De temperamento inquieto e espírito aberto às inovações, Visconti mostra, em importantes trabalhos do período de sua formação na França, influências dos movimentos simbolista, impressionista e art nouveau.
Realizou sua primeira exposição individual em 1901, na Escola Nacional de Belas Artes, onde, além das telas a óleo, expôs trabalhos de arte decorativa e de arte aplicada às indústrias, resultado de seu aprendizado com Grasset. Sua produção nesse campo situa-o como introdutor do art nouveau nas artes gráficas no Brasil. Desenhou selos, ex-libris, cerâmicas, tecidos, papéis de parede, cartazes e luminárias.
Aquela primeira exposição de Visconti, que teve boa acolhida apenas entre os críticos da época, seria em parte responsável pelo convite que lhe fez o Prefeito Pereira Passos para executar os trabalhos de decoração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, realizados em Paris.
De volta ao Brasil, outra luminosidade e outras cores exerceriam influência sobre ele. Tem início sua fase de paisagens de Teresópolis, cheias de atmosfera luminosa e transparente, de radiosa vibração tropical. Para o renomado critico Mário Pedrosa, Visconti é "o inaugurador da pintura brasileira, o seu marco divisório. Nasce uma nova paisagem na pintura do Brasil".
Três meses após ser golpeado na cabeça em um assalto ao seu ateliê, falece o artista em 15 de outubro de 1944, aos 78 anos de idade.

“Gioventu” (1898), considerada a "Mona Lisa" brasileira
Serviço

Exposição: Eliseu Visconti - A modernidade antecipada
Local: MNBA - AV. Rio Branco, - Rio de Janeiro
Visitação: Até 17 de junho de 2012
Horário: Terça a sexta-feira, das 10h/18h. Sábados, domingos e feriados, das 12h/17h

SP Arte 2012


SP-ARTE 2012 REUNE O MELHOR DA ARTE MODERNA E CONTEMPORÂNEA EM SÃO PAULO

Referência no cenário internacional de arte, feira promete alavancar o mercado de arte no Brasil
A SP-Arte, que acontece de 10 a 13 de maio, no Pavilhão da Bienal de São Paulo, chega à sua oitava edição com um novo formato e repleta de novidades. Por ser a primeira feira do gênero no país, a SP-Arte trás na sua origem a busca constante pela inovação e é essa inovação que impulsiona o aumento do número de galerias participantes: em 3 pisos que esse ano somam 15 mil m² estarão distribuídas 110 galerias, dentre as quais 27 são internacionais. Entre as representantes estrangeiras estão confirmadas as espanholas Elvira Gonzalez, Elba Benitez, La Caja Negra e La Fábrica, Galeria Filomena Soares, de Portugal, Anita Beckers, Swedish Photography e Weingrül, todas da Alemanha, Yvon Lambert, da França, Leon Tovar Gallery, de Nova York, Casas Riegner e Fernando Pradilla, da Colombia e Sprovieri, de Londres.
"O crescimento da SP-Arte é resultado de um trabalho gradativo que atraiu os mais conceituados colecionadores, marchands e artistas plásticos e consolida o Brasil no mapa mundial das grandes feiras. Nossa vocação de ampliar a visibilidade do mercado de arte de forma altamente profissional certamente contribui significativamente para esse panorama", explica Fernanda Feitosa, diretora da SP-Arte.
A diretora reforça ainda o papel da feira no fomento à chamada "economia criativa", em que cultura, criatividade e conhecimento são matérias primas de uma nova visão estratégica de desenvolvimento econômico, social e ambiental. "Estamos conscientes do nosso papel diante dessa nova realidade em que o mercado de arte não é mais restrito a uma minoria, mas deve ser ampliado no sentido de abranger cada vez mais setores da sociedade", reflete Fernanda. Esse ano, a partir de acordo assinado entre os organizadores do evento e a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, as aquisições feitas durante a mostra estarão isentas do recolhimento do ICMS, tributo estadual que corresponde a 18% do valor de comercialização da obra.
Fernanda também celebrou parcerias que visam integrar o circuito das artes durante o evento. O visitante desta edição que adquirir um ingresso para o MAM, MASP, MIS e Pinacoteca, a partir de abril, receberá um convite para visitar a Feira nos dias 10 e 11 de maio. Por sua vez, ao adquirir um ingresso para a SP- Arte, o visitante receberá gratuitamente uma cartela com ingressos aos quatro museus parceiros, com validade entre 10 e 13 de maio. A organização do evento também vai disponibilizar uma van gratuita para seus convidados. Quem tiver tickets de cortesia poderá percorrer o circuito entre a Feira e os museus. "Nosso objetivo é reforçar a vocação cultural da cidade, promovendo a visitação e a interação entre as instituições parceiras", afirma Fernanda Feitosa.

Serviço
SP-ARTE / 2012
Datas e horários: 10 e 11 de maio, das 14h às 22h
12 e 13 de maio, das 12h às 20h
Local: Pavilhão Ciccillo Matarazzo
Parque do Ibirapuera, Portão 3 - São Paulo
Ingressos: Inteira - R$ 30,00 - Meia-entrada - R$ 15,00

Hereros

Segredos de um povo ancestral africano pelo olhar de um brasileiro apaixonado por Angola e sua gente

Dono de um dos mais completos acervos de imagens da cultura angolana, o renomado fotógrafo e publicitário Sérgio Guerra exibe no Rio de Janeiro um panorama minucioso de suas expedições ao país africano, mais propriamente de seus registros dos hereros, o mais antigo grupo étnico do continente.
Com curadoria do artista plástico e diretor do Museu Afro Brasil, Emanoel Araujo, a bem-sucedida "Hereros - Angola", originada do livro homônimo do artista (Editora Maianga, 2010) aporta no Museu Histórico Nacional, de 12 de abril a 08 de julho.
Visto por mais de 185 mil pessoas em São Paulo e Brasília - com passagens também por Lisboa e Luanda -, o painel apresenta 120 fotos em diversos formatos acompanhados por uma cenografia repleta de vestimentas, adereços e objetos de uso tradicional e ritualístico da etnia, traçando um amplo registro de seu modo de vida e tradições.
Fruto da paixão que o fotógrafo desenvolveu pela cultura do país africano, quando ficou à frente da comunicação do governo angolano, há mais de 15 anos, a exposição traz ainda depoimentos em vídeo colhidos entre homens, mulheres e jovens hereros sobre a sua cultura. O repertório de imagens e sons reunidos na mostra levam o espectador ao universo da etnia, composta por pastores de hábitos seminômades, que são exemplo da perpetuidade e resistência de uma economia e cultura ancestrais ameaçadas pelo acelerado processo de modernização e ocidentalização dos países do continente, assim como pela devastação da guerra civil que assolou o país por décadas. Através da iconografia, registros materiais e multimídia sobre o povo herero, sua tradição e seus rituais, a mostra, que tem patrocínio da Unitel (empresa de telefonia móvel de Angola), contribui para o conhecimento da nossa ascendência africana e da formação social e etnológica de nossa gente.

Os hereros
Os hereros fazem parte de uma expansão Bantu de cultura pastoril e hoje vivem entre a Namíbia, Angola e Botsuana. Chegaram ao atual território de Angola por volta do século XV, e ocupam hoje a região semidesértica de pastagens naturais, mas de chuvas escassas e breves, das províncias do Cunene e Namibe, no Sudoeste de Angola. Toda a sua vida cultural se constrói com referência à sua relação com o boi e com o meio circundante.
Em Angola, durante toda a primeira metade do século passado, os hereros sofreram a perseguição das autoridades coloniais, que os forçou a trocar o gado e o nomadismo pela agricultura e uma vida sedentária. Resistiram ao encalço e ao degredo, retomando as suas tradições ancestrais.
Na Namíbia, resistiram à escravidão e se opuseram à dominação alemã, ação que os tornou vítimas de um dos maiores genocídios da história. Em 1904, o general Lothar von Trotha ordenou as tropas alemãs ao cumprimento de uma "ordem de extermínio" e dizimou cerca de 80 % da população dos hereros.
Na convivência com os hereros, o fotógrafo percebeu que os próprios angolanos sabiam muito pouco sobre essa etnia e sequer conseguiam distingui-los. "Descobri que, para além da minha atração por estes povos, poderia ser útil, de alguma maneira, se pudesse partilhar com um número maior de pessoas tudo aquilo que me foi dado a conhecer sobre eles".

O autor
Fotógrafo, publicitário e produtor cultural, Sérgio Guerra nasceu em Recife, morou em São Paulo e no Rio de Janeiro, até se fixar na Bahia nos anos 80. A partir de 1998, passou a viver entre Salvador, Rio de janeiro e Luanda, onde desenvolve um programa de comunicação para o Governo de Angola. Em suas constantes viagens pelo país, testemunha momentos decisivos da luta pela paz e reconstrução, constituindo um dos mais completos registros fotográficos das 18 províncias angolanas. Seu acervo fotográfico propiciou a publicação dos livros 'Álbum de família', 2000, 'Duas ou três coisas que vi em Angola', 2001, 'Nação coragem', 2003, 'Parangolá', 2004, 'Lá e Cá', 2006, 'Salvador Negroamor', 2007, 'Hereros-Angola', 2010 e e a montagem das exposições 'As muitas faces de Angola' - Brasília (Congresso Nacional), Salvador (Shopping Barra), São Paulo (Centro Cultural Maria Antônia), 2001; 'Nação Coragem' - São Paulo (FNAC Pinheiros, 2003), Zimbabwe (HIFA, Harare International Festival Arts, 2008); 'Lá e Cá' - realizada na Feira de São Joaquim, a maior feira livre da América Latina. Salvador, 2006; 'Salvador Negroamor' - toda ela dedicada às pessoas que vivem na periferia da cidade, destacou-se como a maior exposição fotográfica a céu aberto que se tem registro até hoje, com aproximadamente 1500 painéis espalhados na cidade, Salvador, 2007; 'Mwangole' - Salvador (Galeria do Olhar, 2009).

O curador
Emanoel Araújo é escultor, desenhista, gravador, cenógrafo, pintor, curador e museólogo, nascido em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, a 15 de novembro de 1940. Em Salvador, formou-se em Belas Artes e foi diretor do Museu de Arte da Bahia. Lecionou artes gráficas, desenho, escultura e gravura na City College University of New York. Em Brasília, foi membro da Comissão dos Museus e do Conselho Federal de Política Cultural, instituídos pelo Ministério da Cultura. Já em São Paulo, foi Secretário Municipal de Cultura, e Diretor da Pinacoteca do Estado, onde liderou uma gigantesca reestruturação nos anos 90, transformando o prédio em um dos principais museus do país e um dos roteiros turísticos culturais da cidade.
Emanoel Araújo é considerado um extraordinário escultor e já realizou várias exposições individuais e coletivas por todo o Brasil, Europa, Estados Unidos e Japão. Como não podia deixar de ser, recebeu diversos prêmios em todas as técnicas trabalhadas. Suas obras tridimensionais se destacam pelas grandes dimensões, pelos relevos e pela formas integrantes nas edificações urbanas. Seu estilo - mesmo sendo único - dialoga com movimentos artísticos de toda a história, mas sempre com ênfase nos detalhes que descrevem e valorizam as características africanas. Hoje, é Diretor Curador do Museu Afro Brasil, do qual foi idealizador e doador de grande parte do acervo.

Serviço
Exposição: Hereros
Local: Museu Histórico Nacional
Endereço: Praça Marechal Âncora, s/nº - Rio de Janeiro
Visitação: de 3º a 6º feira, das 10h às 17h30 e aos sábados, domingos e feriados das 14h às 18h. Ingresso: R$ 6,00 (seis reais). Aos domingos, a entrada é franca.
Telefone: 21-2550-9220

Destaques


Por Litiere C. Oliveira

Bienal de São Paulo anunciada para setembro

Depois de três meses de suspense, período em que esteve ameaçada de não acontecer, devido ao bloqueio de suas contas pelo Ministério da Cultura (MinC), que a considerou inadimplente, a Fundação Bienal confirmou a realização da 30ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo para setembro, com a abertura para convidados marcada para o dia 4. Obviamente eu não serei convidado, como nunca fui, mas irei assim mesmo.
O presidente da Bienal, Heitor Martins, disse que já foi tudo resolvido com o MinC, os Ministérios Públicos Estadual e Federal, o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria Geral da União (CGU), faltando apenas captar R$ 4 milhões, para completar o orçamento total de R$ 21 milhões, salientando que a captação de recursos foi prejudicada pelo bloqueio.
Também foi anunciada a relação dos 110 artistas que participarão desta edição da Bienal. O curador-chefe da mostra, o venezuelano Luis Pérez Oramas (não sei por que o curador não é brasileiro), informou que escolheu artistas considerados importantes para ele (não para o nosso meio artístico - mas para ele). Citou o mexicano Fernando Ortega, o chileno Juan Luis Martinez, o colombiano Icaro Zorbar e o venezuelano Gego. Entre os brasileiros, Hélio Fervenza, Alberto Bitar, Marcelo Coutinho, Cadu Costa e Lucia Laguna. Completam a equipe curatorial Isabela Villanueva, Toby Maier e André Severo.
O título da exposição é A iminência das poéticas, e pretende destacar a arte latino-americana que, segundo o curador, está sendo descoberta pelo mundo inteiro. As obras que participarão da Bienal serão, na sua maioria, inéditas, desconhecidas (segundo o curador) até dos galeristas que representam os artistas! Os artistas e as obras foram selecionados "buscando vínculos nos sentidos", seja lá o que isso signifique.

Isenção de ICMS nas obras vendidas no SP Arte 2012

Os organizadores da SP Arte - Feira Internacional de Arte de São Paulo comemoram o decreto assinado pelo governador Geraldo Alckmim, que isenta as obras de arte vendidas no evento do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços - ICMS, a exemplo do que aconteceu na ArtRio Feira de Arte contemporânea no Rio de Janeiro, em setembro passado, igualando o jogo. Segundo Fernanda Feitosa, diretora do SP Arte, "a importância dessa conquista para São Paulo é a mesma da do Rio". Quem sai ganhando com isso é o mercado de arte, a própria Arte.
Particularmente, em outro aspecto, acho um absurdo o governo cobrar imposto sobre obras de arte repatriadas.

ArtRio 2012

Sobre a ArtRio 2012, marcada para acontecer entre os dias 13 e 16 de setembro, o espaço físico da feira vai praticamente dobrar, passando de 3.850 metros quadrados para 6.520 metros quadrados. O número de galerias também aumenta de 80 em 2011 para 120 em 2012, e o orçamento passa de R$ 6 milhões para R$ 9,5 milhões.

Verba cultural dos CCBBs foi reduzida em R$ 7,5 milhões

A notícia de que uma exposição do Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio, recebeu a maior média de visitas no mundo, não foi suficiente para impedir a redução dos orçamentos dos CCBBs de Brasília, Rio e São Paulo, em R$ 2,5 milhões cada um.
Talvez estejam usando essa verba na construção do CCBB de Belo Horizonte. A exposição que recebeu mais visitas no mundo foi "O mundo mágico de Escher", em 2011, que recebeu uma média de 9.677 visitantes por dia.
O MINc também teve sua dotação orçamentária reduzida para 1,79 milhões, uma perda de R$ 34 milhões em relação a 2011. Um absurdo.

Exposição Tarsila
Antonio C. Abdalla, o leiloeiro James e Acácio Lisboa visitando a exposição "Tarsila do Amaral - Percurso Afetivo" no CCBB do Rio de Janeiro.

Por encomenda

Quando David Nasser (1917-1980) foi fazer um teste para trabalhar como jornalista nos Diários Associados, Assis Chateaubriand (1892-1968) pediu que ele escrevesse um artigo sobre Jesus Cristo. Nasser perguntou: "Contra ou a favor?" Foi contratado na hora.

Muitos críticos de arte fazem textos por encomenda de galerias de arte, naturalmente elogiando o trabalho do pintor ou escultor, às vezes dizendo coisas que o nem o próprio artista sabia que existia no seu trabalho. No catálogo da exposição de um artista numa galeria de um shopping na Barra da Tijuca, o crítico foi profundo. Escreveu: "Em suas criações triunfa o êxito de cerzidos fragmentos, gêneses e remates, que sacralizam misteriosas realidades, transportando o observante à interiorização psicanalítica de experiências sensoriais pretéritas". Demais!

Cassino Contemporâneo

Galeristas do Shopping Cassino Atlântico, no Rio de Janeiro, se reúnem para exposições com as mais variadas manifestações artísticas. Em sua quarta edição, o evento reúne 15 galerias que apresentam suas novidades em pintura, escultura, colagem, fotografia, grafite e performance. Na foto, o artista Toz, Ricardo Kimaid Filho e Ricardo Kimaid.

Leirner, Kracjberg e Niemeyer

Nelson Leirner, 80 anos.
Frans Kracjberg, 91 anos.
Oscar Niemeyer, 105 anos.
Contemporâneos.

São Paulo: Arte & Estilo

Por Jair Marcos Vieira

Catedral do Whisky, espaço inédito em SP, para poucos

Um colecionador brasileiro construiu e inaugurou no ano passado a Catedral do Whisky, em Itatiba (SP), abrigo da maior coleção da bebida da América Latina. Pelo ritmo do crescimento do acervo ali reunido, promete ser a maior do mundo. A catedral é criação de José Roberto Briguenti, 60, dono de uma das maiores empresas de terraplanagem do Brasil, a Terram®. Ele começou colecionando cachaças, mas em pouco tempo descobriu que a variedade no universo do uísque era bem maior. Nos últimos cinco anos, arrematou garrafas raras e incorporou outras coleções ao seu acervo. Hoje, a coleção de Briguenti reúne mais de 10 mil garrafas, das mais variadas procedências, idades e inusitados formatos. Na sua casa de campo, a 70 km da capital paulista, a primeira amostra que o visitante tem é do acervo de 2,5 mil minigarrafinhas, aquelas dos frigobares de hotel. Estão distribuídas em estantes de imbuia, e forram, do chão ao teto, oito a dez prateleiras com cerca de 20m de comprimento cada. É só o aperitivo. Quando se entra na casa, aparecem peças que impressionam. Numa das salas, todas as paredes são forradas por armários, tipo cristaleiras, que guardam mil garrafas vazias de bourbons, scotchs e uísques de centeio ou milho com formas absurdas. Há peças com o formato de artistas, políticos e personagens. Tem a Marilyn Monroe, presidentes dos EUA, o Groucho Marx, a Pocahontas, o Rei Arthur, o feiticeiro Merlin... Só de Elvis Presley há onze garrafas diferentes, todas em porcelana, em marcas como Jim Beam, Kentucky Colonel, Lionstone e McCormick. Há ainda cerca de 130 garrafas em formato de carro: de corrida, a vapor, bondes, ônibus etc. No centro dessa sala, há um tabuleiro de xadrez onde as peças são 32 garrafas de uísque da Old Crow Kentucky Bourbon, cada uma com o formato referente à sua função no jogo. Num pequeno armário, mais curiosidades: sabonetes de uísque, mamadeiras com scotch, perfumes de uísque e outros artigos feitos com o destilado. Aí vem a sala de sinuca, ornamentada com aproximadamente mil garrafas, muitas delas vazias. São raridades como os minialambiques de cobre Whyte & Mackay e as efígies egípcias da Mitchers. Em um quartinho reservado, uma das joias da coroa: um conjunto de 80 garrafas de cerâmica Royal Doulton com mais de 100 anos das marcas escocesas Dewar's e Watson's. Chega-se a hora de finalmente adentrar o templo sagrado, a catedral propriamente dita. Erguida em um prédio isolado da casa, com salão e mezanino, tem aproximadamente 7 metros de largura e 15 de comprimento. Ao entrar, não há visitante que não fique de queixo caído. Todas as paredes são forradas com garrafas enfileiradas e distribuídas por nove andares de prateleiras de pinho de riga, cajazeira e cedro. No hall, sofás e poltronas que convidam à degustação e móveis que remetem ao ambiente das catedrais: genuflexórios, altares barrocos do século 17 trazidos de Minas, vitrais, relicários guardando preciosidades, difusores de mirra, cálices de prata e até um confessionário. No teto, lustres de cristal resgatados das demolições de um hotel no bairro da Luz e da mansão da família Pignatari. A coleção não está pronta. Nos próximos meses, Briguenti e seu colega Rubens Didone, que o auxilia na montagem da coleção, pretendem catalogar todos os itens, colocá-los em ordem lógica e dar destaque às preciosidades do acervo. Ele pretende disponibilizar a coleção em um site, ainda em desenvolvimento. Por enquanto, só abre as portas de sua catedral para colecionadores e aficionados por uísque. E tem que ser amigo de seus amigos. Maiores informações pelo email jrbriguenti@terram.com.br ou pelo tel. (55) (11) 9947-6000. (Fonte: Kike Martins da Costa, especial para o iG São Paulo)

Casa 8 leiloou acervo de Clodovil
Deu no Fantástico e na primeira página do UOL. A divulgação que antecedeu o evento foi intensa em muitos veículos e causou furor. Com estimativa de no mínimo 300 pessoas, o Leilão do Espólio de Clodovil Hernandes foi um imenso sucesso no último mês de abril. "Claro, essa soma seria ainda maior se contássemos o número de lances prévios e telefonemas ao vivo dos que participaram do evento", dizem os organizadores do principal leilão que a Casa 8 realizou em muitos anos. Disputas acirradíssimas marcaram mais um dia de leilão da casa. O sucesso do pregão também gerou grande felicidade nos próprios participantes, que levaram um pouco de Clodovil Hernandes para seu acervo pessoal. Alguns itens tiveram maior destaque durante a exposição e o leilão em si. Como todos os lotes (com exceção das joias) eram de lance livre, ou seja, com primeiro lance a partir de R$ 20, o interesse do público cresceu. Um desses itens, por exemplo, foi o piano da marca Challen, que entrou por R$ 20 e acabou sendo vendido por R$ 30.500 (!). Além deste, o baú Louis Vuitton foi leiloado por R$ 23 mil. Mas, obviamente, o destaque da noite foi a gravatinha borboleta de brilhantes do ex-deputado federal. Atingindo a incrível quantia de R$ 46 mil, a joia única foi vendida para um arquiteto que estava presente no leilão.
A estimativa total do leilão foi acima do esperado. Estipulando um valor entre R$ 160 mil e R$ 200 mil, seus organizadores ficaram surpresos com os resultados: no total, foram arrecadados R$ 370 mil, que terá como destino o pagamento de dívidas deixadas por Clodovil. O próximo leilão da casa, que acontece em maio, nos dias 17 (a partir das 21h) e 19 (às 17h), terá exposição entre os dias 11 e 16/5, das 11h às 20h, em parceria com o Superbid (leilão pela internet - veja anúncio nesta edição). Casa 8 Leilões. Tel.: (11) 3083- 3012. Facebook: Casa 8Leilões (ou Casa Oito Leilões). casa8leiloes@casa8leiloes.com.br / www.casa8leiloes.com.br.

O mercado de arte e suas complexidades

Por Ricardo Kimaid

Experimento uma agradável sensação ao constatar que o ano de 2012 inicia-se de forma auspiciosa para o mercado de arte, quer pelo fato de se ter notícias que os primeiros leilões de arte foram coroados de pleno êxito, e, mais ainda, pelo fato de haver sido resgatado a procura e negociações com obras de artistas clássicos e modernos, atingindo cifras expressivas de valorização.
É alentador saber que os colecionadores tradicionais estão vivos e presentes, comparecendo nas disputas pelas obras que outrora foram executadas por nossos ícones da pintura brasileira. É alentador ver, por exemplo, um leilão apregoar nada menos que dezessete Castagnetos, e vende-los todos, e muito bem, superando qualquer expectativa otimista, não só pela quantidade dessas obras do mesmo artista, mas, sobretudo, pelos altos valores alcançados.
Apesar do mercado de arte estar mais focado no que atualmente chamam de arte contemporânea, não quer dizer com isso que os demais segmentos percam seus status, principalmente daqueles artistas consagrados historicamente. O modismo é efêmero, e arte nunca foi e nunca deverá ser de modismos.
Independente de qualquer rótulo que seja dado às técnicas ou tendência nas artes plásticas, se torna imperioso que suas origens estejam embasadas por históricos que resistam a uma análise criteriosa de quem tenha erudição reconhecida.
Daí a insistência, de minha parte, chamando sempre atenção dos apreciadores, colecionadores e profissionais do mercado, para não se deixarem levar por essas correntes passageiras, cujo saldo em breve tempo será apenas um limbo de substratos. Repito que, embora o mercado de arte seja altamente exposto a todos os tipos de especulações, oriundos de correntes não qualificadas para ditar posições, sua estrutura cultural é inabalável ao longo da história, e seus desvios serão dispersos no tempo, prevalecendo os pilares que o fundamentou.
Cito alguns exemplos que confirmam esse conceito: nomes dos idos de 50 e 60, que hoje estão sendo reconhecidos como artistas contemporâneos, muito mais contemporâneos do que os artistas que atualmente reivindicam esse rótulo. Se na década de 50 e 60 foram contemporâneos, como classificá-los agora? A procura de denegrir obras e artistas do passado é pura artimanha de aventureiros despreparados e sem a mínima cultura para diferenciar o que é isca e o que é engodo. A prova maior disso é a ascensão natural que está acontecendo com os artistas que até recentemente estavam engavetados: Antonio Maluf, Rubem Ludolf, Lothar Charoux, Mario Silésio, Décio Vieira, Ubi Bava e Zaluar, são alguns desses casos. Espero ver muitos outros ascender nesse mercado, pela história de sua participação, qualitativa e representativa, nos movimentos pontuais a que se propunham em trazer algo de novo para a o fascinante mundo das artes plásticas brasileiras.
O mercado de arte pode e deve estar aberto a novos valores, novas caligrafias e novas perspectivas. O mundo evolui, e ampliam-se as culturas, mas que nunca se abra mão da seriedade que se faz necessária, pois invariavelmente uma obra de arte acaba por se tornar em um ativo financeiro, e dependendo do seu histórico pode ser auspicioso, ou simplesmente uma decepção para quem adquiriu.
Dito isso, quero reiterar aos apreciadores da nobre arte que não se descuidem; não sejam influenciados por manobras especulativas, que tem por objetivo transformar pastiches em ativos. Desconfie sempre de quem vende arte como investimento patrimonial. Arte é investimento sim, mas cultural, que quando bem orientado na sua aquisição, pode se transformar em investimento patrimonial, mas a médio e longo prazo. 

Ricardo Kimaid - www.rembrandt.com.br

O Leviatã pega

Por João Ubaldo Ribeiro (Da Academia Brasileira de Letras)

Acho que já falei aqui numa comadre minha que diz que tudo é trauma de infância. Inclino-me a concordar com ela e, muitas vezes, nem tenho de escarafunchar muito essa remotíssima fase de minha vida para descobrir a origem de certas inquietações do presente. O Leviatã é um exemplo claro, porque meu medo dele vem desde o tempo em que, no meio da livrama de meu pai, eu topava com as ilustrações de Gustave Doré para a Bíblia e lá estava o tremendo monstro, contra o qual, assegurava o texto, o bronze das espadas era palha, ou seja, não adiantava nada. E devo ter misturado isso com alguma outra ilustração, provavelmente do clássico de Thomas Hobbes intitulado Leviatã, com que também topei nessa época, tentei ler para ver se vencia o medo, não entendi nada, desisti e o trauma deve ter persistido, ou piorado.
Hobbes é comumente tido, numa simplificação bastante grosseira e mesmo injusta, como uma espécie de teórico do absolutismo. E foi assim que me falaram dele nas escolas. Para mim o Estado hobbesiano, onde o poder se concentra no que ele chama de "soberano" e o súdito não tem ingerência no governo, passou a ser definitivamente aquele monstro das ilustrações. Depois, com a leitura de 1984 e a chegada de um tempo onde, fotografados, filmados e gravados, estamos cada vez mais submetidos a alguma espécie de controle, ou pelo menos vigilância controladora, o bicho vem me assombrando bastante e devia assombrar vocês também, porque vamos facilitando, vamos facilitando e daí a pouco ele nos engole a todos.
E essa engolição não vai ter nem a colher de chá do Estado hobbesiano. Nele, de fato o soberano detinha todo o poder, mas também tinha o dever básico de dar segurança ao súdito, pois, afinal só ela conteria o lobo do homem e era para isso que o pacto social existia. Aqui no Brasil, o nosso Leviatã já engole mais de um terço do que ganham os pobres e remediados (e nada dos verdadeiramente ricos) e não dá segurança nenhuma. Se esta for entendida como algo além de garantias contra a violência e abranger, por exemplo, a saúde, sabemos que o monstro, além de comer todo o dinheiro que pode, obriga os súditos a contratar planos médicos privados e nem mesmo estes resolvem, pois o bicho permite que façam o que bem entendam, inclusive tungar safadamente os que há décadas pagam por eles os olhos da cara.
O Leviatã de Gustave Doré, se bem revejo na mente as gravuras da infância, tinha tentáculos semelhantes aos de um polvo. É uma boa imagem para o que nos acontece hoje em dia, a toda hora um novo tentáculo se estendendo sobre nós, uma chuva de normas, cartilhas, orientações, admoestações, avisos, cobranças, proibições, restrições, instruções e assemelhados, vinda aparentemente de mil direções, que ninguém conhece direito e a que todo mundo obedece sem questionar. Sabe-se, mais ou menos vagamente, da existência de agências reguladoras hoje muito ativas, tripuladas por sabe-se lá quem, todas empenhadas em emitir regras para a nossa conduta. Ninguém elegeu esse pessoal, ninguém foi nem ouvido nem cheirado quanto a sua nomeação (vai ver que alguns, ou todos, foram ouvidos preliminarmente no Congresso, mas isso e nada todo mundo sabe que quer dizer a mesma coisa, até porque muitos dos nomeados para as agências devem ter sido indicados por deputados ou senadores), mas eles fazem o que querem e, mesmo quando quebram a cara, quem paga o prejuízo somos nós.
Cabe recordar pela milésima vez, como uma espécie de dever cívico, aquela regulada que deram nos motoristas, obrigando todos a trafegar com um tal kit de primeiros socorros. Todos os donos de carro compraram o kit, que só tinha um fabricante, o qual, naturalmente, encheu o rabo de dinheiro, assim como, certamente, outros envolvidos na operação. Concluiu-se que o kit não valia nada e era até prejudicial, mas ninguém foi investigado e muito menos punido, os súditos morreram na grana que os espertalhões faturaram e ficou tudo por isso mesmo. Mais recentemente, veio o tal assento para crianças, que de novo beneficia fabricantes, ou fabricante, e é uma medida de meia pataca, porque não pode ser aplicada a táxis, ônibus e vans, além de causar problemas de vários tipos. Mas todo mundo se esquece disso, compra o raio da cadeirinha e segue obedecendo.
Torcer no futebol já está regulamentado, mas não é descabido prever que cada clube venha a ser obrigado a pagar danos morais ao juiz chamado de ladrão por seus torcedores. Curtir com a cara do perdedor, nem pensar. O técnico que ficar na beira do campo soltando palavrões também será multado e mal posso esperar o dia em que emanarão do banco instruções como "meu anjo, vê se te deslocas mais expeditamente!". E o atacante vai pedir um cruzamento exclamando "alça-me o balão de couro, companheiro!". Quanto a piadas, não só de futebol mas quaisquer outras, atualmente já proibidas em relação aos candidatos, certamente também serão objeto de restrições impostas pela necessidade de que vivamos numa sociedade absolutamente livre de discriminações ou preconceitos de toda espécie. Não pode piada que, de alguma forma, mostre qualquer categoria social ou humana sob uma luz considerada pejorativa. Ou seja, não pode piada nenhuma, mesmo porque as que se refiram a animais, como as de papagaio, estarão sujeitas ao crivo rigoroso do Ibama, pois nunca se sabe quando uma piada poderá induzir a um crime contra um animal protegido. Talvez se crie - e fica a sugestão, é mais uma porção de cargos para preencher - uma base nacional de piadas, cadastrando todas as permitidas, é só checar antes de contar. Agora que dá para comparar, o monstro de Gustave Doré não era tão feio assim, bons tempos.

Vendedor de Alegria

Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda.
Cecília Meireles

É tempo de alegria, de luz e liberdade na obra de TOZ!
Deixar a Insônia e as cores da noite e acordar para a claridade ensolarada, é a nova proposta desse artista que brinca com a poesia a cada traço.
Se grafitar é brincar, TOZ nos convida a seguir com ele descobrindo um mundo mais alegre e estabelecendo relações afetivas com o cotidiano.
A cidade é sua inspiração, os muros e telas são suportes onde tece a própria experiência estética.
E eis que mudar fez-se necessário! Abandonar a zona de conforto em busca de novas trilhas, seguindo a trajetória com a naturalidade de quem encontra a própria voz em algo novo.
A mesma vibração que encontramos nos muros, TOZ agora transpõe para as telas imprimindo em sua obra um frescor de inovação.
Nada é para sempre a não ser a mudança... parece ser o seu lema.
O Vendedor de Alegria chega como quem acende uma chama, iluminando, para lembrar que a alegria é possível, simples assim.
A família de Nina, a menina sonhadora, e Shimu aumentou. O Vendedor, com os pés no chão e a cabeça nas alturas, leve e solto como o ar, traz a magia presente ao nosso redor. É só abrir os olhos para ver.
A fragilidade dos balões, o fio que os prende, a cor, o sonho, o cuidado e a delicadeza são possibilidades que produzem faíscas. E então, incendeiam e contagiam!
As ideias do artista, transformando-se numa inesperada cadeia de pensamentos, nos levam por caminhos novos e mais libertos.
Como um balão que se solta no ar...

Por Isabel Portella

Serviço
Exposição: TOZ - O Vendedor de Alegria
Local: Galeria Movimento - Arte contemporânea
Endereço: Shopping Cassino Atlântico
Av. Atlântica, 4.210 - Lj 212 - Copacabana - RJ
Visitas: de segunda a sábado, das 10h às 19h.

O Rio que Vidal vê

"Realismo Popular é como vem sendo definida a obra do Pintor Sérgio Vidal. Seus quadros mostram uma realidade possível, mas que só existe em sua imaginação poética."

Sexta Feira – OST, 80 x 120 cm – 2011
A pintura de Sérgio Vidal conquista interesse entre os mais sofisticados apreciadores de arte. Suas obras tem merecido participações em Mostras Oficiais e Galerias, como: "Salão Nacional de Arte Moderna"; "Salão da Aeronáutica - Premio de viagem à NY"; "Brasil Mais 500 -Mostra do Redescobrimento"; "A Mão Afro-Brasileira"; "Brasil Brasileiro"; Museu Afro Brasil"; "Galeria Estação São Paulo"; "Galeria Brasiliana"; "Galeria TNT"; Lucart Gallery.
"Há o colorista, ademais do figurativista. E há um sonho concreto, feito de ímpetos de aqui e agora, igualitária e confraternalmente. E, realmente porque prorrogar indefenidamente a humanidade da humanidade - perguntam as telas de Vidal ( embora ele mesmo evite perguntar, como o coração do Poeta, que não pergunta nada)."
( Prof.Antonio Houais, sobre a pintura de Vidal em 5 de junho de 1982)
O Pintor Sergio Vidal é Carioca, nasceu no bairro da Gamboa em janeiro de 1945.
Desde menino apresenta tendência para o desenho e habilidades manuais. Seu companheiro de colégio, Heitorzinho dos Prazeres o levou para conhecer o atelier de Arte do seu pai, o Mestre Heitor dos Prazeres. Essa visita aguça o seu interesse pela pintura. Ao longo de sua vida teve a oportunidade de conhecer o atelier de alguns pintores. Destacamos aqui Heitor dos Prazeres Filho, Maricha, Gildemberg, Widman Frans(aluno de Kokoschka), Fernando V. da Silva, Roberto Griot, Holmes Neves, Cleô, Di Cavalcante, Rubens Gerchman,
Poderemos apreciar as obras do Pintor Sérgio Vidal na exposição da Galeria de Arte Djanira. No dia da abertura da exposição estará sendo lançado o livro "Comidas de Samba Bebidas de Choro", do escritor e pesquisador Carlos Roque, que contém obras do Pintor Sérgio Vidal.

Bar e Bilhar – OST, 80 x 100 cm - 2012
Serviço
Exposição de Pinturas - "o Rio que Vidal vê"
Local: Galeria de Arte Djanira
Endereço: Rua Carlos Peixoto, 54 - Térreo - Botafogo - RJ
Abertura em 09 de maio de 2012 às 18 hs.
Visitação até o dia 31 de maio.